quarta-feira, 18 de novembro de 2009

12 Macacos (1995) - 8.1


Desde que terminou o processo de seleção do doutorado, minha vida resumiu-se a terminar a redação da dissertação do mestrado. E aí, a rotina é estudo o dia inteira e filme antes de dormir. O blog ficou abandonado, mas vou tentar dar uma passada por aqui com mais frequência.

Nas minhas últimas incursões cinematográficas descobri que gosto muito ficção científica. Na verdade, me apaixonei por um filme que vi meses atrás: Quiet Earth (1985). Mas falo dele depois. Hoje eu fico com o "12 Macacos" de Terry Gilliam.

No futuro, o mundo se torna um lugar inabitável depois que, em 1997, 5 bilhões de pessoas morreram por conta de uma contaminação em massa. James Cole (Bruce Willis) volta no tempo para colher informações relevantes para que cientistas possam minimizar os danos da contaminação. Primeiro, ele volta para o ano de 1990. Como todo viajante do tempo, ele é tratado como louco e vai parar numa instituição onde conhece a médica Kathryn Railly (Madeleine Stowe). Ela vê em Cole um rosto familiar, mas não sabe explicar de onde o conhece. Mesmo preso a uma cama, depois de tentar fugir do Hospital, Cole some. Ele volta para o futuro.

Na segunda vez que viaja para o passado, Cole volta em 1996; meses antes dos primeiros casos registrados dos sintomas da infecção. Ele está à procura do "Exército dos Doze Macacos", responsável pelo contaminação. Na segunda visita, Cole novamente se encontra com Railly. O ceticismo da médica desvanece e ela se junta à causa de Cole. Mas o desenvolver dos fatos mostra o quanto as certezas do casal são frágeis.

A nota acompanha a média do IMDB.

Convites para o Makingoff.org

Os poucos que acessam esse blog já deve conhecer o Makingoff.org. Pra quem não conhece, o MKO é um fórum dedicado ao cinema. Lá você encontra filmes que normalmente não se encontra por aí. Há quem chame o conteúdo do site de "alternativo", "cult" ou "P.I.M.B.A.". O que importa é o acervo é maravilhoso. E além disso, existem pessoas dispostas a traduzir legendas, ripar filmes, etc.

E como a maioria dos "estrangeiros" que até aqui chegam, chegam por culpa do MKO, eu estou distribuindo convites para o fórum. No momento são seis convites. Deixe seu nome e e-mail nos comentários.

Ah, vale lembrar que o meio de compartilhamento que predomina no fórum é o torrent. Ou seja, aconselho a dar uma pesquisada sobre do que se trata esse sistema e, principalmente, sobre a necessidade de semear tudo aquilo que baixar.


Essa é para o Juninho.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

UFA!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não abandonei o blog. Mas os compromissos e preocupações acadêmicas têm tomado muito do meu tempo e atenção. Daqui a pouco eu tô de volta com mais calma.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pas koji je voleo vozove (1977) - 6.3

A tradução portuguesa do título desse filme iugoslavo é "O Cão Que Amava Trens". Acho que não preciso repetir o quanto a internet me proporciona assistir filmes cuja existência eu nunca nem faria ideia.

O filme tem três personagens cujas histórias se cruzam. Mika é uma fugitiva que acaba aceitando trabalhar para um ex-dublê de filmes de faroeste, que vive de cidade em cidade fazendo shows com "as cenas mais famosas do cinema". Numa dessas cidades, junta-se à dupla um garoto que está procurando por seu cão. O cachorro que amava trens, vivia saltando para dentro e para fora dos vagões dos trens que passavam pelas redondezas.

Com medo de ser incriminado como cúmplice, o ex-dublê entrega Mika para a polícia. Mas antes disso, ela foge com a ajuda do garoto. Surge entre eles uma relação de amor (do garoto em relação a Mika) e de amizade mútua.

É um belo filme que fala sobre inocência, esperança, amor e amizade gratuita. A seqüência final é especialmente comovente. Além disso, a trilha tem momentos geniais.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Sísifo do século XXI


O melhor blog de música brasileira voltou. Em 15 de Agosto desse ano, o Um que Tenha anunciou que havia recebido uma notificação do Google/Blooger dizendo que o pessoal da DMCA (Digital Millennium Copyright Act) estava encrespando com o conteúdo disponibilizado pelo blog.

Tudo não passa de mais um capítulo do trabalho (?) dessas organizações anti-"pirataria"¹.

Eu me pergunto o que passa na cabeça desse pessoal. As hipóteses são muitas, mas elenco duas aqui.

Primeiro a mais ingênua: esse pessoal da DMCA e da brasileira APCM (Associação Anti"pirataria" de Cinema e Música²) realmente acredita que pode conter o avanço da internet no que diz respeito à divulgação e compartilhamento de obras cujos direitos pertencem às grandes gravadoras e estúdios de cinema. Por isso, é legítimo continuar esse trabalho hercúleo tentando tolher todos que divulgam tais obras.

O fechamento de sites como o Um Que Tenha (que já voltou), Som Barato (que já voltou), The Pirate Bay (que embora ainda esteja sofrendo dificuldades, ainda está com o site no ar) e da comunidade Discografias (que, pasmem! também já voltou); o fechamento desses sites, eu dizia, são comemorados como vitórias contra o mal que é a "pirataria".

No Brasil, tentaram há tempos associar a "pirataria" ao crime organizado. Claro que não seria ingênuo em negar que existe sim ligação entre aquele camelô - que vende o último lançamento dos cinemas antes mesmo dele entrar oficialmente em cartaz nas salas tupiniquins - e o crime organizado. Mas daí a dizer que o sujeito que baixa esses filmes, discos, séries ou o que for, pela internet está contribuindo para o crescimento do crime organizado é de uma estupidez sem tamanho.

Enfim, eles continuam fazendo esse trabalho (?) de caça às bruxas com suas tochas e garfos de três pontas, bradando aos quatro ventos que isso é errado e blá, blá, blá.

A segunda hipótese - na qual acredito - é a seguinte: quando perceberam o quanto a Internet crescia e se tornava uma "ameaça", resolveram tomar uma atitude. "Bora fechar os sites mais populares de compartilhamento de filmes, séries e música?". Jóia. Tudo resolvido.

O fato é que quando resolveram tomar a atitude, era tarde demais. Já não dava para conter o avanço da Internet.
Um chefão de uma gravadora se pergunta: "Mas e agora? O que diabos fazemos com essa parafernália toda que nós criamos, com toda essa equipe que fica vasculhando a internet em busca dos melhores sites de filmes, dos melhores blogs de música, dos sites de legendas? Esse povo vai ficar na internet aí de bobeira, entrando no orkut e conversando no MSN, recebendo sem fazer nada?"

Um dono de estúdio cinematográfico responde: "Ah... então deixa a internet pra lá. Bora fechar a APCM e mandar todo mundo pra casa."

Os rumores tomam conta das cubículos onde os policiais virtuais trabalham, a notícia se espalha no MSN, em correntes de e-mail. "Perdemos nossa boquinha" comentam alguns; "Merda, como vou bancar a internet da minha casa e continuar baixando meus filmes?" pergunta outro. Em conversas pelo MSN, os quase-demitidos bolam uma idéia mirabolante: fechar os sites top's, os mais conhecidos, causar um frenesi geral e mostrar que ainda podem ajudar no combate à "pirataria"!

Pronto. Está justificada a caça às bruxas. Os funcionários (?) da APCM podem dormir tranquilos. O ganha-pão está garantido. É só mostrar um servicinho aqui, um fechamentozinho ali e todo mundo fica satisfeito.

Eles são o Sísifo de século XXI, fechando sites que no momento seguinte já estão abertos novamente: em outros endereços, em servidores do exterior, etc. E lá vão eles novamente, pressioar o "DEL" infinitamente. A diferença deles para Sísifo é que este fora condenado a subir com a pedra montanha acima, enquanto aqueles adotaram a pedra e se comprometaram a alimentá-la, tratá-la e rolá-la a preços módicos.

Vejam vocês: a "pirataria" beneficiando mais gente do que se imaginava! Pensem quantos desempregados surgiram com o fim da "pirataria"!?

Que bom que o UQT voltou! E que bom que esses bocós nunca vencerão. No final das contas, é meio divertido ver a ingenuidade - se é que ela existe - desse povo. É como ver seu filho metendo a mão no fogo e se queimando até que aprenda, enfim, a lição. Hume ficaria satisfeito.

1 - Pirataria entre aspas pra não entrar na discussão do que realmente significa ser pirata de acordo com a legislação brazuca.

2- Alguém me explica como APCM pode virar Associação Anti-"Pirataria" do Cinema e da Música? Ou falta um 'A' na sigla ou há uma mensagem subliminar e a verdadeira intensão é fazer dessa associação uma Associação Pirata do Cinema e da Música!

sábado, 5 de setembro de 2009

Lluvia (2008) - 8.0

Hoje tem Brasil x Argentina pelas eliminatórias para a Copa de 2010. E o que isso tem a ver com filmes? Nada.

Mentira. Todo mundo sabe que existe aquela velha rivalidade entre Brasil e Argentina. Boto lenha na fogueira: o cinema brasileiro - salvo raríssimas exceções - precisa aprender muito com o cinema argentino. Via de regra, os brasileiros não conseguem fugir muito do mote pobreza/favela/violência. Sim, esse cenário está mudando - ainda bem! -, mas tem muito caminho pela frente.

Já o cinema argentino - pelo menos os filmes que vi - é capaz de contar uma história, uma história comum e nada além disso. É o caso desse filme.

Alma e Roberto são dois desconhecidos cujas histórias se cruzam num dia chuvoso em Buenos Aires. Alma está saindo de casa e largando o companheiro com quem vivia há nove anos. Roberto, vindo da Espanha, chega a Buenos Aires para enterrar o pai que não via desde os 6 anos. A história começa com Roberto invadindo o carro de Alma, que estava preso num engarrafamento.

A partir daí se desenvolve uma relação de amizade e amor simples, como uma que pode acontecer com qualquer pessoa. Nada resume o filme de melhor forma do que aquilo que está na capa: "Ela não sabe para onde está indo e ele não sabe de onde vem."

E não seria a vida exatamente isso?

Vier Fenster (2006) - 3.1


Um trecho da sinopse retirada do AllMovies: "Divido em quatro capítulos - um pra cada membro da família - o drama segmentado do diretor Cristian Moris Mueller segue uma anormal família alemã durante o curso de um dia típico."

Quando topei com esse filme, nem levei em conta a nota baixa no IMDB. Pensei: "Ó, esse filme parece bacana". Mas como a gente erra nessa vida!

O filme é fraco como a avaliação no IMDB sugere. Eu não senti nada por nenhum dos membro da família. Quer dizer, só uma profunda preguiça. Pode até ser que não estivesse lá num dia bom pra ver filmes, mas é tudo bem fraquinho mesmo; meio amador.

O Mistério do Samba (2008) - 9.0


Eu não era muito de assistir a documentários por um misto de desinteresse e falta de oportunidade. O interesse ainda é parco, mas as oportunidades - graças à Internet - são muitas.

O Mistério do Samba é um documentário dirigido por Carolina Jabour e Lula Buarque de Hollanda (sobrinho do Chico). Conta histórias do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela ou simplesmente Portela.

Da primeira vez que fui ao Rio, me senti um pouco carioca. Na verdade, desde que caí no samba e na bossa, a admiração pela música e pelo jeito carioca veio no pacote. Por isso tudo, assistir a documentários como esse é sempre uma experiência maravilhosa.

É tanta história, é tanta música, é tanta aprendizagem que você fica até meio besta. Os depoimentos de um dos integrantes da Velha Guarda, o Seu Argemiro, são, a um só tempo, engraçados e comoventes. E a câmera fechada nos olhos dele fazem você sentir uma enorme simpatia pelo sujeito. Mas o Seu Argemiro é só um dentre tantos outros senhores e senhoras que fizeram a Portela crescer. A história do cavaquinho improvisado do Seu Jair, por exemplo, é outra parte que gostei bastante.

E junte-se a tudo isso, as participações da Marisa Monte, Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. Samba a dar com o pau. Coisa linda.

Vidas Secas (1963) - 8.5


Li "Vidas Secas" de Graciliano Ramos duas vezes. A primeira delas, acho que em 1999, quando estava na oitava série. A segunda delas, em 2002, no terceiro ano do ensino médio; era um dos 5 livros que cairiam no vestibular. Da primeira vez, achei o livro um saco; arrastado e soporífero. Mas eu era moleque e nenhum moleque está pronto para ler um livro como esse.

Da segunda vez, gostei bem mais. Três anos fazem muita diferença na vida da pessoa. À parte a necessidade de "saber tudo" do livro para o vestibular, consegui captar muito mais coisa do que não tinha captado na primeira leitura. Lembro que uma das coisas que mais me impressionava no texto, era o jeito do Fabiano. Era engraçado ficar imaginando aquele cara bruto que não era capaz nem de conversar, só de grunhir.

Tinha também a cadela Baleia, que na minha visão era bem parecida com uma cadela que tinha aqui em casa. Morreu em 2003 a Chambreca.

Pelo que lembro do livro, o filme é bem fiel. Mas me incomodou ver um Fabiano tão falante, embora tivesse a desenvoltura de uma vassoura. Um exemplo: a sequência em que Fabiano e Vitória monologam sobre Seu Tomás da boleandeira e a cama de couro é muito boa, mas a partir daí não consegui ver o Fabiano com toda a rudeza que lhe era peculiar em minha imagem dele. Ele passou a ser uma espécie de Jeca Tatu mais bruto. Sobrava humanidade nele. Faltava bestialidade.

Em contrapartida, a cena da morte da Baleia é brilhante. E se você pensar na dificuldade da cena e levar em conta que o filme é de 1963, o mérito é ainda maior. A morte, inclusive, gerou toda uma movimentação em grupos de proteção aos animais. Muita gente protestou contra a brutalidade que se cometera com o pobre animal. Pra vocês verem que tem gente besta no mundo há muito tempo.

É um belo filme sim. Um clássico do cinema nacional. Mas se você, vestibulando preguiçoso, tiver que ler o livro, não o substitua pelo filme: beba os dois.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Nome Próprio (2007) - -2.0

Assim como eu já discuti várias com o João Paulo sobre como a música brasileira é muito melhor do que qualquer outra música que possa existir, tentei argumentar que o cinema brasileiro é melhor do que parece. Mas o João Paulo é Mainárdico e acha que o Brasil não precisa de cinema. Um absurdo plausível. É um absurdo, mas é plausível. E a plausibilidade desse absurdo se deve a filmes como Nome Próprio.

"Nome próprio" é um filme pretensioso que nem a boa atriz Leandra Leal consegue salvar. Aliás, o filme já começa errado no roteiro, baseado em blogs (!!!) de uma tal Clara Não-sei-das-quantas. Olha só, eu até concordo que tem muitos anônimos, que escrevem bem, espalhados aí pela grande rede. Mas daí a escrever um roteiro em cima da história de um desses anônimos, pera lá. E ela nem escreve tão bem assim!

A Renata lá do MKO definiu bem o filme: "profundíssimo como um píres". Outro comentário que vi por lá foi que a personagem principal do filme é uma adolescente que lia Capricho e resolveu escrever nas paredes pra parecer descolada.

Isso tudo sem contar os erros crassos de coerência. A blogueira lá se conectava via dial-up - o famoso fax-modem. Mas nem com a minha velox, eu me conecto e navego com tanta velocidade quanto a internet dela.

Enfim, o filme é extremamente pedante. A personagem Camila é uma adolescente crescida que precisa tomar um couro de cinta e tomar tenência na vida; deixar de ser uma menininha mimada que gosta de curtir a vida e arrumar um emprego como secretária de dentista ou psicólogo, sei lá. Se tem uma coisa boa no filme é retratar essa geração internética - na qual me incluo, de certa maneira - que não quer saber de dureza e cujo conhecimento vem do wikipedia ou do Pai-Google.

E claro, - esse é sempre o grande problema dos filmes nacionais: bons ou ruins - quando o roteiro não ajuda, da-lhe peitinho, bocetinha e todo tipo de sacanagem. Mas é tudo descolado, não é gratuito, "é natural, é necessário para o desenvolvimento da narrativa". Bosta nenhuma! Murilo Salles devia era ter vergonha e pedir desculpa pra quem teve a infelicidade de assistir esse filme.

Pra terminar, alguém pode dizer: "Ah, mas esse filme levou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Direção de Arte no Festival de Gramado, poxa vida!". E aí eu te digo: "Ah, tá. Você fala daquele festival que deu um prêmio especial pra Xuxa? " Belezentão!

terça-feira, 28 de julho de 2009

casa de espelho recomenda: céu


Na primeira faixa "Sobre o amor e seu trabalho silencioso", CéU canta "Vai pegar feito bocejo". Não que ela esteja falando do seu disco, mas serve. Sabe quando você vê uma pessoa bocejando, não consegue resistir e já abre a boca também? É por aí o que esse disco me causou. E não venham me dizer que estou dizendo que este disco causa sono! É um grande disco!

Sou suspeitíssimo para falar da CéU. Foi uma espécie de paixão à primeira ouvida. Até hoje lembro como a conheci. Vi, no orkut de uma amiga, uma comunidade chamada "Maria do Céu"; e lá estava a foto da cantora. Entrei como quem zapeia a TV, só pra ver do que se tratava. E aí, acabei caindo no myspace. Não me lembro qual foi a música que ouvi naquele dia. Talvez tenha sido "Lenda" do primeiro CD. Só sei que naquele instante, todo um novo horizonte musical se abriu pra mim. A partir da CéU que comecei a procurar por essa nova geração de cantoras brasileiras.

Voltando ao disco, são 13 faixas com o que melhor se pode esperar da CéU. Um disco cheio que suingue, com uma pegada e levada extremamente características. Quando falei do disco do Rodrigo Campos, fiz referência ao Beto Vilares, um dos melhores produtores da atualidade. A parceria Beto Vilares + CéU é uma das felizes parcerias da música brasileira. Pode botar junto aí com Tom + Vinícius sem nenhum exagero. No programa "Pelas Tabelas" do Canal Brasil você pode conhecer um pouco mais sobre a trajetória deles. O programa na íntegra está dividido em quatro partes no youtube: a primeira parte está aqui.

Dizia no começo sobre como o disco me "pegou feito bocejo". Mas é que já na primeira audição, eu me via cantarolando os versos que já conseguia decorar. Versos estes que, em sua maioria, são de autoria da própria CéU. Coisa mais do que louvável numa época em que a maioria das cantoras só regrava sucessos do passado. Não que isso seja demérito, mas é preciso enaltecer quem faz diferente. Com excessão de "Nascente" (letra da Siba) e "Rosa Menina Rosa" (letra e música de Jorge Ben), todas as outras faixas são de autoria da CéU.

Foi difícil escolher quais as amostras pra esse cd. Escolhi as que considero - no momento - as duas melhores. "Ponteiro" e a psicodélica "Espaçonave".


Ponteiro






Espaçonave






Para baixar o disco, clique na imagem.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

"É claro que o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso..."

O mais estranho de tudo na derrota da última quarta-feira, foi que quase não se via torcedores chorando. O título era tão certo - e aí estava o erro - que a torcida, atônita, parecia não acreditar. Era como se o jogo nunca tivesse começado e ainda estivéssemos esperando a partida decisiva.

Perdemos para um time mais maduro que jogou melhor no jogo que mais valia. Mas ainda assim, o Cruzeiro é muito mais time que o Estudiantes. Jogamos maravilhosamente todos os jogos do mata-mata. Menos um, menos o derradeiro.

O Brasileiro começou, de verdade, ontem. Perdemos para o Corinthians num jogo em que o justo seria o empate. Mas não senti luto pela Libertadores. por parte dos jogadores O time mostrou uma superação incrível, atuando sem zagueiros, com um jogador a menos desde os 30 do primeiro tempo. A torcida, idem. Colocar 32 mil pagantes depois da perda de uma final de Libertadores não é pra qualquer um.

Disse que quase não vi torcedores chorando porque um sujeito me comoveu. O cara tinha duas vezes o meu tamanho - o que é muita coisa - e passou por mim, no estacionamento, debulhando-se em lágrimas. Deu vontade de dar um abraço no cara e dizer que ia passar. Mas só dei dois tapas no ombro dele. Nem sei se ele percebeu, mas aquila situação me fez, de alguma forma, sentir mais paixão pelo Cruzeiro - se é que isso é possível.

* A frase do título é de Bill Shankly, ex técnico do Liverpool.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Um grande título começa por um grande goleiro

Um pouco das minhas suspeitas se confirmaram tão logo cheguei no Aeroporto de Ezeiza em Buenos Aires. A gripe não era lá aquela coisa assutadora que se divulgava por cá. Tá certo que o Aeroporto estava mais vazio do que se esperava. Mas não vi aquele desfile de pessoas mascaradas. Mais tarde, pude confirmar que a situação não é mesmo o que se pensa por aqui.

Na saída do Aeroporto um fotógrafo do globoesporte.com pediu para tirar uma foto da galera que estava chegando. E lá fomos nós. Por volta das 16:00 chegamos ao hotel. Às 18:00 a van que nos levaria ao Estádio Ciudad de La Plata passaria no hotel. Tivemos pouco tempo para ajeitar as coisas, tomar um banho e comer algo. Saímos de BH às 8:00 depois de um atraso do vôo - não lembro bem que horas saímos de Guarulhos. Mas é fato que não tivemos uma refeição decente durante o dia inteiro. E ainda assim, na correria, tivemos que apelar para o Mac Donald's. Mas teriamos tempo de fazer turismo na quinta feira e na sexta de manhã. O importante na quarta era o jogo. Então, vamos a ele.

No estádio, fomos muito bem tratados pelos policiais. O lugar reservado para a torcida cruzeirense era bastante espaçoso, talvez pela expectativa de um público maior. Expectativa que não se cumpriu muito em função da gripe. Enfim, ficamos num lugar muito bom, perto do campo e bem protegidos. O frio era de rachar os beiços. Perto dos 0°C com sensação térmica de -2°C por causa do vento.

O jogo? Que jogo! Pressão do Estudiantes e o Fábio salvando tudo lá atrás. Puxando pela memória, percebo que me senti meio técnico do time. É que houve o seguinte: havia um bom espaço plano perto do muro que separava o campo da arquibancada. E eu fiquei por ali andando de um lado pro outro numa tensão terrivelmente deliciosa. A cada jogada por ali, fazia uns gestos e apontava o posicionamento correto dos jogadores. "Olhas as costas, Magrão! Aperta, Paulista! Vira o jogo, vira o jogo! Dá no Paraná!". E por aí ia eu - e todos os torcedores é claro. Foi divertido.

A finalíssima é amanhã e o Cruzeiro pode até não vencer. Mas se o título vier, vou sempre me lembrar de um lance dessa partida. Aos 16'41'' do primeiro tempo, o Estudiantes fez uma jogada pela direita. Pérez tabelou com Fernandez que lhe deixou na cara de Fábio. Pérez chutou e Fábio fez uma defesa sensacional. O lance foi no gol contrário a minha posição. Mas eu vi a jogada de frente, como se na visão do atacante argentino - só que muitos metros atrás. Pra mim, era uma bola indenfensável. Mas Fábio fez o impossível. Eu comemorei como se fosse gol enquanto outros torcedores xingavam o Gérson Magrão que havia tomado a bola nas costas (Ah se o Magrão ouvisse o treinador aqui...). Enfim, há sempre aquele lance que todos se lembram como o que deu o título ao seu time. E para mim, se o tri vier amanhã, esse será o lance do campeonato.

Foram, no mínimo, 4 milagres do Fábio e eu poderia escolher qualquer outra defesa. Mas esta me deu aquela certeza de torcedor - falível - de que o título não pode ir para outras mãos. E se jogadores como Jonathan, Wágner, Magrão e o próprio técnico Adílson, tiveram que aguentar e provar para a exigente - às vezes, em demasia - torcida cruzeirense o seu valor, Fábio é um cara que merece demais ser o capitão do tri. São quase 6 anos de Cruzeiro fechando o gol em muitos jogos, mas pagando por dois momentos ruins: a eliminação para o Paulista de Jundiaí na Copa de Brasil de 2005 e o "gol de costas" no Mineiro-07.

Amanhã, estarei lá no Mineirão. 12 anos depois da Libertadores 97 - meu segundo jogo no estádio; eu com 12 anos. E que a festa seja bonita como em 97. E que título venha como em 97. Mas que não seja tão sofrido como foi em 97.